Em sessão
tumultuada, a Câmara de vereadores do município cearense de Juzeiro do Norte aprovou projeto que reduz os salários dos
professores. Na tabela do Ministério da Educação, o piso nacional da categoria
é de R$ 1.567. Os contracheques de Juazeiro, que incluem gratificações, chegam
a R$ 2.193. Com a aprovação do projeto, os professores amargarão perda mensal
de cerca de R$ 600.
A proposta
prevaleceu por 12 votos a quatro. Houve três abstenções. A sessão ocorreu nesta
quinta-feira (6). Os vereadores tentavam deliberar desde terça. Em pé de
guerra, os professores conseguiram derrubar um par de sessões. O desfecho
exigiu reforço policial.
Ainda assim, os
vereadores não se livraram do tumulto. Deliberaram sob vaias e agressões
verbais. Para conter os manifestantes, a polícia recorreu ao cassetete e ao
spray de pimenta. Vencidos, os professores prometem cruzar os braços. A
proposta de redução dos vencimentos vinha sendo debatida há 15 dias.
A iniciativa partiu
da prefeitura. O prefeito chama-se Raimundo Macedo (salário de R$ 25 mil).
Filiado ao PMDB, ele foi eleito com o apoio do PT. Coube ao líder do governo na
Câmara, Nivaldo Cabral (salário de R$ 10 mil), do DEM, fazer a defesa da
lâmina. Disse que o corte nos vencimentos dos professores é imperioso porque a
folha da prefeitura tornou-se “inviável”.
O presidente da
Câmara, Antônio de Lunga (R$ 10 mil por mês), do PSC, dirigiu os trabalhos com
pulso firme. Governista, não hesitou em bater boca com representantes da
oposição ultraminoritária. O prefeito Raimundão, como é conhecido, ainda não
comentou sua vitória. Ele está no estrangeiro.
Raimundão viajou na
semana passada para a capital dos Estados Unidos. Junto com outros prefeitos
cearenses, foi participar de evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Ao desembarcar em Washington, o prefeito foi retido na alfândega. Suprema ironia: carregava
mais do que os US$ 10 mil permitidos pela legislação americana. Teve de se
explicar.
A assessoria de
imprensa de Raimundão disse que ele passou por “rápido” interrogatório. Coisa
de 20 minutos. Depois, foi liberado. Informou-se em Juazeiro que o prefeito
levava nos bolsos algo como US$ 11 mil. Nessa versão, teria excedido o limite
legal em US$ 1.000. Dinheiro para compras, alegou-se.
O contratempo
alfandegário do prefeito não é a única ironia a tisnar a cena de Juazeiro. Há
pouco mais de um mês, em 27 de abril, os mesmos vereadores que reduziram os
contracheques dos professores haviam aumentado de dois para três meses o
período de recesso do legislativo municipal. Fizeram isso sem
cortar os salários (R$ 10 mil, em cifras aprovadas no ano passado).
Fonte: Blog do Josias de Souza

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