A duas semanas de deixar o Palácio do Campo
das Princesas, o governador João Lyra Neto (PSB) questionou a capacidade de
liderança do sucessor, o governador eleito Paulo Câmara (PSB), durante a
entrevista de final de ano concedida ao Blog de Jamildo e ao Jornal do
Commercio; disse que o processo de escolha de Câmara como candidato foi
equivocado e alegou que Paulo não poderá depender da história do ex-governador
Eduardo Campos.
“Eu não acredito em substituição de
liderança. E nem que o cargo faz da pessoa líder”, cravou o atual governador
durante a conversa de uma hora e meia concedida em seu gabinete, no primeiro
andar do Palácio. “Eduardo Campos tinha o legado ideológico do Dr. Arraes e
passou trinta anos até ser governador. A começar como chefe de gabinete,
deputado estadual, secretário duas vezes, deputado federal e ministro de
estado. Então tinha uma trajetória, diferentemente do governador Paulo Câmara.
Ele surgiu em um momento em que tinha Eduardo Campos como líder”, afirmou.

Nos bastidores, o que se comenta é que Lyra
teria ficado magoado ao ser preterido por Câmara. Questionado, ele nega, mas
não deixa de criticar o processo de escolha da candidatura de Paulo por
Eduardo, que na época buscava um nome jovem com condições de representar a tese
de “nova política” que seria adotada na campanha presidencial.
“O que aconteceu na decisão? A forma foi
equivocada do governador Eduardo Campos. Deveria ter feito uma ampla discussão
na escolha do candidato. Então, não houve essa discussão. Eu vim saber no dia
em que Paulo Câmara foi anunciado. E disse a ele numa conversa reservada. Houve
um equívoco. Mas isso foi praticado por Eduardo Campos como líder do partido e
líder do Estado”, confessa.
“Aí aconteceu a tragédia. Vamos ter que
construir ou reconstruir essa liderança. E tem que ser conquistada pelo líder.
Não pode ser delegado: fulano vai ser meu substituto. Não existe isso. Dr
Arraes não disse que Eduardo ia ser seu sucessor. Apenas Eduardo conquistou
através de sua trajetória a condição de ser o líder do PSB estadual e
nacionalmente”, afirma ainda. Durante a campanha, mais de uma vez, o filho de
Eduardo, João Campos, pediu voto para Paulo Câmara dizendo que ele teria sido
escolhido pelo pai para ser o novo líder de Pernambuco.
Desde a morte de Eduardo Campos, Paulo
Câmara e o prefeito do Recife, Geraldo Julio, têm se cacifado como os
principais líderes do PSB em Pernambuco, apesar de serem técnicos sem muita
experiência política. João Lyra, por outro lado, faz questão de dizer que a
liderança do partido no Estado ainda precisa ser construída e que não basta ser
prefeito ou governador para comandar a legenda.
“São dois cargos importantes. Duas pessoas
respeitadas. Mas vão ter que construir suas lideranças”, lembrou. “O líder tem
os liderados independentemente do cargo. O cargo fortalece. Quem vai ser o
líder futuro do PSB? Sinceramente, só o tempo vai dizer”, disse.
Perguntado se Paulo Câmara precisa descolar
sua imagem da do ex-governador Eduardo Campos após assumir o mandato, o
caruaruense alertou que a gestão de Câmara precisa estar descolada da história deixada
pelo padrinho político.
“Sabe qual a questão? Eduardo foi um grande
governador que encerrou tragicamente sua trajetória. Ele faz parte da história.
A realidade para Paulo Câmara como governador vai começar 1º de janeiro”, avisa
o caruaruense.
“Conselho não se dá, mas desejo que ele
cumpra todos os compromissos assumidos durante a campanha. Independentemente da
equipe que convocou. Ele tem um compromisso: com o povo pernambucano. Ele vai
ser julgado pelo seu governo”, deixou o recado.
Fonte: Blog
do Jamildo
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